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(Igreja de Santa Cruz)
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Dos êxitos obtidos veio a
criação do clube, como mostra a Ata de Fundação
do mesmo
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"Aos três de fevereiro de mil novecentos e quatorze à
rua da Mangueira n° 2, districto da Boa Vista pelas 19 horas,
reuniram-se os Srs Quintino Miranda Paes Barreto, José Luiz
Vieira, José Glacério Bonfim, Abelardo Costa, Augusto
Flankin Ramos, Orlando Elias dos Santos, Alexandre Carvalho,
Oswaldo dos Santos Ramos, Luiz de Gonzaga Barbalho Uchôa
Dornelas Câmara para a fundação de uma sociedade
"foot-ball". Proclamando presidente o Sr. Augusto Ramos é pelo
mesmo aceito tendo convidado o Sr. Luiz Barbalho para secretariar a
mesma. O presidente expôs ao fim da reunião que é a
fundação de uma sociedade esportiva que tomaria por
título "Santa Cruz Foot-Ball Club". Adotando como principal
esporte o "foot-ball". Sendo posta em discussão e aprovada. O
Sr. presidente comunica que vai-se proceder a eleição
para a primeira diretoria. Procedida é eleita a seguinte
diretoria: Presidente, Sr. José Luis Vieira, vice-presidente,
Sr. Quintino Miranda Paes Barreto, 1° secretário Sr. Luiz
de Gonzaga Barbalho Ramos, Diretor de Esportes Sr. Orlando Elias
dos Santos, tendo sido empossada. O secretário lê os
estatutos da nova sociedade que são aprovados. Em seguida
tratou-se das cores que o clube adotaria a seu pavilhão, sendo
escolhido as cores brancas e pretas, sendo aprovada. Tendo o Sr.
Alexandre Carvalho portado-se mal é repreendido pelo
presidente e posto na ata um voto de censura ao mesmo. Não
havendo assuntos a discutir-se o Sr. presidente encerrou a
sessão depois de haver marcado o dia 7 de fevereiro para nova
reunião. (a) Augusto Câmara - 2°
secretário".
Assim, na reunião realizada na Rua da Mangueira, número
2, ficou combinado que as cores do time seriam branco e preto.
Posteriormente, porém, devido a igualdade de cores com o
Flamengo local, o Santa adotou o vermelho, tornando-se tricolor. O
primeiro adversário do Santa Cruz foi o Rio Negro, na campina
do Derby, onde foi atraído um bom público para ver jogar
o "time dos meninos". O time, apesar de acostumado a jogar somente
nas ruas, não estranhou o campo e conseguiu fácil
vitória pelo placar de 7 x 0. A equipe era formada por:
Waldemar Monteiro; Abelardo Costa e Humberto Barreto; Raimundo
Diniz, Osvaldo Ramos e José Bonfim; Quintino Miranda,
Sílvio Machado, José Vieira, Augusto Ramos e Osvaldo
Ferreira. O Rio Negro, não conformado com a goleada sofrida,
pediu revanche, chamando o jogo para o seu campo, localizado na Rua
São Borja, impondo ainda uma condição: o
centroavante Sílvio Machado, do Santa Cruz, não poderia
atuar, porque tinha sido o melhor jogador em campo na primeira
partida, tendo marcado 5 dos 7 gols do Santa Cruz. O time tricolor
aceitou a condição e escalou Carlindo para substituir o
seu artilheiro. Ao final do jogo, o placar apontava 9 a 0 para o
Santa Cruz, tendo Carlindo assinalado seis gols.
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(Primeiro time do Santa
Cruz)
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Diante de vitórias
tão espetaculares, o time do Santa Cruz ficou entusiasmado e
ganhou muitos torcedores, o que hoje, faz ele ser considerado com a
Maior Torcida do Nordeste. Treinando sempre com a bola que
José Luis Vieira ajudou a comprar por 8.500 réis, o Santa
viria depois a conquistar mais uma sensacional vitória sobre
um time famoso da época que era o Western Telegraph Company,
composto exclusivamente por elementos ingleses que trabalhavam no
Recife.
Como não podia ser diferente, o Santa Cruz passou por momentos
de crises e em um desses momentos, mais precisamente em 1914, foi
proposto por um dos fundadores em uma reunião, o gasto dos
únicos seis mil réis existentes em caixa na compra de uma
máquina elétrica de fazer caldo de cana (o que era
sucesso na época, na Rua da Aurora). Foi quando Alexandre de
Carvalho deu um murro em cima da mesa, evitando com esse gesto de
revolta o fechamento do clube. Diante de uma proposta tão
afrontosa ele afirmou, "O Santa Cruz nasceu e vai viver
eternamente". Hoje, suas palavras ainda ecoam profundamente nos
tricolores de todas as gerações.
Como foi fundado por representantes da classe média, o Santa
Cruz sempre foi um clube popular, aceitando inclusive negros no
time (o primeiro foi Teófilo Batista de Carvalho, conhecido
por Lacraia). Coisa rara na época. Era mais um passo para a
popularização do clube, numa época em que o futebol
ainda era um esporte fechado, praticado por rapazes "gente fina" ou
por funcionários das várias companhias inglesas que
funcionavam no Recife.
O Santa com sua moçada, atendia aos anseios da massa, na qual
deixou suas raízes. O noticiário dos jornais não era
tão generoso como o atual e o rádio ainda era um sonho,
mas as notícias faziam seus percursos boca a boca e terminavam
se espalhando. Dessa forma, logo os torcedores pernambucanos
tomaram conhecimento das façanhas de Pitota e Tiano (o
médico Martiniano Fernandes), que em dado momento tornou-se
para os recifenses, mais importante do que Santos Dumont, o pai da
aviação. No dia 30 de Janeiro de 1919, Dumont transitava
pela capital pernambucana, mas a cidade só comentava sobre a
vitória tricolor sobre o Botafogo – a primeira de um
time do Nordeste sobre uma equipe do Rio – por 3 x 2. Tiano
marcou dois gols e o "Jornal Pequeno", da segunda-feira, 31, dizia:
"O Botafogo Futebol Clube é derrotado pelos "meninos" cá
de casa pelo escore de 3 x 2".
O clube entrou na Liga em 1917 e chegou às finais, mas perdeu
para o Flamengo recifense. Em 1931, mais precisamente a 13 de
Dezembro, o Santa fazia seu pavilhão espraiar-se por todo
Pernambuco, quando, depois de uma bela campanha, derrotava o Torre
por 2 x 0, gols de Valfrido e Estevão e levava alegria a
milhares de torcedores. Entre os campeões, duas figuras
lendárias no futebol pernambucano: o centroavante Tará e
Sherlock. Os heróis do primeiro título do Santa foram:
Dada, Sherlock e Fernando; Doía, Julinho e Zezé;
Walfrido, Aluízio, Neves, Tara, Lauro, e Estevão,
João Martins e Popó. Este time conseguiu também o
título de 1935.
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(Tará)
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Nos anos 40 a equipe levantou
três títulos (40,46 e 47), antes de passar nove anos no
jejum. Na década, seguinte com um time repleto de craques,
como Aldemar, Lanzoninho, Zequinha e Marinho, o Santa foi
campeão em 57 (super campeão) e de novo em 59.
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(Time Super Campeão de
1957)
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(Marinho)
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Mais uma
vez o clube passaria nove anos esperando antes de comemorar. Em 69
os tricolores quebram o jejum e dão início ao
pentacampeonato, maior série do clube até hoje. No Arruda
brilharam estrelas como Fumanchu, Levir Culpi (zagueiro), Carlos
Alberto e Ramón. Em 75 os tricolores fazem uma campanha
brilhante no Brasileiro e chegam às seminifinais, perdendo a
vaga para o Cruzeiro.
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(Revista Placar com os melhores
times da história do Brasil)
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No ano
seguinte, aparece no time o centroavante Nunes e o Santa levanta o
Pernambucano (bi super campeão).
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(Time Super Campeão de
1976)
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Ainda na
década de 70, a torcida tricolor teve mais um motivo para
comemorar, a inauguração do Estádio do Arruda (4 de
julho de 1972). O jogo comemorativo foi contra o Flamengo do Rio de
Janeiro e os times formaram com: Santa Cruz: Detinho; Ferreira,
Sapatão, Rivaldo e Cabral (Botinha); Erb e Luciano; Cuíca
(Beto), Santana (Zito), Ramon e Betinho. Flamengo: Renato; Moreira,
Chiquinho, Tinho e Wanderlei; Zanata e Zé Mário
(Liminha); Vicente (Dionísio), Caio (Ademir), Doval (Fio) e
Arilson. A renda da partida fornecida pela federação foi
de CR$ 193.834,00 assim descriminada: Na arquibancada –
13.442; Sócios – 2.407; Gerais – 22.879; Senhoras
crianças e militares fardados – 8.267; e Cadeiras
– 693. Total : 47.688 Público Pagante.
Em 1979 o Santa conquistou o título de Fita Azul do Brasil,
que foi dado pela CBF ao Santa Cruz por ter sido o único o
clube do país a fazer uma excursão no exterior e ter
saído de lá sem perder nenhuma partida. A excursão
aconteceu durante o mês de março e o time tricolor
enfrentou adversários do Oriente Médio
(Seleções de diversos países como Kuait, Catar,
Arábia) e da Europa (Paris Sant Germain e Seleção da
Romênia).
Entre os anos 80 os tricolores foram campeões apenas três
vezes, em 1983 (tri super campeonato), em 1986 e em
1987.
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(Time Super Campeão de
1983)
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No dia primeiro de abril de
1982, o estádio do Arruda teve sua ampliação
finalizada e tornou-se o quarto maior estádio particular do
mundo e grande orgulho da torcida coral. Com capacidade para
110.000 pessoas o Arruda viu seu maior público no seu torneio
de inauguração, 85.738 pagantes.
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(Estádio do Arruda)
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Na
década de 90 o tricolor conquistou três títulos
estaduais, em 1990 diante do Sport e em 1993 e 1995 diante do Clube
Náutico Capibaribe. Já em 1999 a torcida coral pode
comemorar o retorno, após onze anos, a primeira divisão,
quando, o Santa foi vice-campeão brasileiro da segunda
divisão.
Em 2003 o Santa Cruz fez uma excursão pela Ásia onde
participou do Torneio Vinausteel no Vietnã e sagrou-se
campeão invícto. O time tricolor jogou cinco partidas,
empatou uma e ganhou as outras quatro. Teve o melhor ataque, a
melhor defesa, o maior saldo de gol, o artilheiro da
competição e o melhor jogador.
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